sexta-feira, 13 de março de 2026

Himalayan!

E chegou o grande dia! Depois de me despedir da minha queridíssima Yamaha Ténére e rodar ao longo de mais de uma semana na Crosser da Rochelli, saímos nessa quinta-feira à tarde rumo a Juiz de Fora. O atencioso vendedor lá da Royal Enfield, Samuel, avisou nos dias anteriores que a minha Himalayan estava pronta para a entrega. Embora a moto já estivesse disponível na loja para pronta entrega, faltava instalar o kit Adventure que também comprei, com baús, protetores, etc. Para deixá-la bem completa para viagens, que é sempre a nossa ideia principal.

Escolhemos a quinta-feira por ser folga da Rochelli no hospital. Como eu trabalho na parte da manhã, o jeito foi sairmos logo depois do meu horário de serviço, pegarmos logo a estrada e almoçarmos no Alto da Serra. Foi o que fizemos. Resolvemos viajar com o Fiestinha, já que o tempo não estava nada bom. Os dias tem sido de calor e chuvas intensas, principalmente na parte da tarde. Chuvas essas que causaram estragos bastante sérios em Juiz de Fora.

A viagem de carro foi bem tranquila e o tempo, na verdade estava até melhor do que esperávamos. Achei mesmo que já pegaríamos chuva logo no início da tarde, contudo, a estrada estava seca e o tempo, apenas nublado. A ideia seria pegar a moto e avaliar a situação. Se a entrega fosse simples e rápida na loja e o tempo cooperasse, poderíamos voltar à tarde mesmo para Barbacena, em carro e moto. Caso contrário, a Rochelli retornaria sozinha com o carro e eu passaria a noite em Juiz de Fora, no apartamento dos meus pais, fazendo a volta na sexta-feira pela manhã, com calma e menor probabilidade de chuva.

Chegamos na Royal Enfield Euroville e a moto já estava lá bem na entrada, montada e pronta, com um bilhete que já tinha encontrado seu dono. Linda mesmo. Deu uma vontade de sair rodando logo, como no dia em que fiz o test drive. Por azar, no horário em que chegamos, umas 14h30min, o Samuel vendedor estava justamente no seu horário de almoço. Confesso que foi momentaneamente frustrante, principalmente por causa da ideia de voltar já pilotando para Barbacena (já que não chovia). Mas acabamos sentando, descansando e aproveitando para olhar novamente a moto (agora que já sabia que era a minha) e os demais modelos. A loja da Royal é realmente um encanto e cada motocicleta é mais bonita do que a outra. Dá vontade de levar uma de cada modelo e cor para casa. Nossa... Passados cerca de uns trinta minutinhos, o Samuel chegou e me passou logo alguns papeis a serem assinados na entrega da moto. Depois, passou todas as instruções relevantes de comandos, painel, uso dos baús, recursos da moto, revisões, amaciamento do motor, etc. Ouvi tudo com bastante atenção. Gosto muito de compreender minhas motos, ler o manual, cuidar, etc. Coisa de nerd.

E chegou a hora de ligar e sair da loja. Sempre um momento especial. O tempo estava bem fechado, infelizmente. Ao sair, começou a pingar. Kkkkk. De qualquer forma, a primeira parada seria obrigatoriamente em um posto de gasolina, para abastecer. Saí com a moto e fui direto ao posto mais próximo, logo ali no Salvaterra. A Rochelli pegou o carro  e foi para lá também. Para nosso azar, a chuva despencou. Uma tempestade mesmo. Bem, estava formalmente descartada a ideia de voltar direto para Barbacena, escoltado pelo Fiestinha. Ficamos meio sem saber ao certo o que fazer, mas decidi encostar a moto em uma vaga de lanchonete que ainda ficava sob a cobertura do posto. Comprei um café e um pão de queijo (tradição absoluta nas minhas viagens). Ao surgir uma vaga apertada, liguei para a Rochelli, que ainda estava "presa" dentro do carro, numa vaga improvisada na chuva e ela deu a volta e encaixou direitinho na vaga. Eu sabia que ela conseguiria. Sempre dirigiu muito bem. Ficamos lá conversando e vendo como o tempo iria ficar. A chuva diminuiu, mas não parou e com as horas passando estava ficando tarde. A Rochelli não queria voltar tarde da noite. Resolvemos então que o melhor seria passarmos no apartamento dos meus pais para que eu guardasse a moto e passasse a noite antes que ficasse muito tarde e o retorno dela ficasse mais complicado com essas tempestades.

Liguei a moto e nem liguei para a chuva. A roupa de viagem protege um pouco, mas eu sabia que iria molhar bem, pois a chuva voltou a ficar bem forte. Mas, quer saber? Nem liguei. Estava muito feliz de estar com minha moto nova. Claro que apreensivo, atento, desacostumado, como todas as vezes em que pegamos um veículo novo, diferente. Ainda assim, sentia o peso, o torque naquelas ruas encharcadas.

A situação só ficou um pouco caótica quando cheguei ao prédio e o portão da garagem não abria. Aí rolou um estresse. Mas foi uma confusão que fiz, no meio da chuva e a abertura pelo celular. Com a ajuda da Rochelli, abrimos o portão e eu entrei com a moto. Subimos, tivemos que nos despedir brevemente para ela pegar a estrada novamente. Ao chegar em Barbacena, ela me disse que chegou em segurança, mas pegou outra grande tempestade na estrada. A decisão de ficar em Juiz de Fora foi mesmo a mais acertada. Conversamos pela internet à noite e fiquei por lá, espalhando minhas roupas molhadas pela varanda e já lendo um monte de coisas sobre a moto. Passei em uma padaria próxima para comprar um lanche e fui dormir bem cedo.

Na manhã seguinte, sexta-feira, o tempo estava nublado, mas completamente seco. Bom para mim, que pegaria a estrada com a Himalayan pela primeira vez e iria com bastante calma, principalmente por conta do amaciamento do motor, cuja recomendação é não passar das 4.000 RPM nos primeiros 500 Km rodados, o que, na prática, daria uma velocidade de cruzeiro de 80 Km/h. Seria uma viagem de volta bem calma, um passeio mesmo. Preparei minhas coisas, acertei a calibragem, liguei pela primeira vez o mapa do painel com o GPS do meu celular e saí. Queria chegar em Barbacena e passar direto na despachante para agilizar o CRVL e a placa para poder rodar logo pela região.

Peguei a saída do Aeroporto da Serrinha e em pouco tempo já estava na BR-040. Nossa, incrível. Mesmo com a limitação de giro e velocidade. A Himalayan tem uma entrega de potência com rotações bem baixas, muito diferente de todas as minhas motos anteriores. Curti bastante. Claro que é uma curva de adaptação até você "vestir" a moto.

O legal é que, refletindo, há alguns anos, mais precisamente desde a pandemia de 2020/2021 passei a acompanhar motociclistas vajantes pelo Brasil e pelo mundo no YouTube. Um dos canais que mais me chamou atenção é o Itchy Boots da motociclista Noraly, que começou a rodar o mundo com uma Himalayan (versão ainda da 411 cc). O como passei admirar aquela mulher motociclista solitária e outras que se aventuravam por aí, rompendo padrões. E também me vem à memória as conversas com o meu tio Célio de que uma marca de motos retrô e estilo inglês, as indianas, estava chegando no Brasil e as vezes que comecei a ver essas motocicletas nos stands dos festivais de moto (principalmente o de Tiradentes). Passei a lembrar do quão legais e distantes essas motos estavam de mim, seja pela questão financeira, seja por serem aquelas "motos de cidade grande", com concessionárias somente nas capitais. Bem, isso tudo passou pela minha cabeça e como foi ficando distante, pois agora estava pilotando uma Himalayan em plena 040. E não qualquer uma, a minha Himalayan. Realmente, algo memorável, extrordinário.

Embora tenha andando a viagem toda a 80 Km/h, parece que Barbacena chegou em um segundo. Num piscar de olhos já estava andando pelas ruas da cidade e em frente à Ana Lúcia Despachante. Depois, foi chegar em casa e estacioná-la na garagem. Sem placa, nada de ficar rodando. Mas isso vai se resolver em breve.

Em breve, estaremos na estrada novamente...

E alcançaremos muitos destinos.





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