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sexta-feira, 19 de maio de 2023

Um passeio inesperado

Por conta de um acidente com o tombamento de uma carreta de óleo na BR-040, Barbacena suspendeu o abastecimento de água e declarou Estado de Emergência. Com as atividades não essenciais suspensas no município, a escola em que trabalho encontrava-se fechada, por isso, aproveitando o dia de folga da Rochelli e buscando economizar a pouca água do prédio, decidimos almoçar fora e pegar as motos. Nosso destino escolhido foi Santos Dumont, pois lá existe um restaurante na estação ferroviária (o qual já visitamos uma vez) em um dos antigos vagões do Trem de Prata. A Rochelli verificou o restaurante nas redes sociais e confirmou que ele ainda existia.

O dia estava perfeito, com um friozinho agradável e céu totalmente limpo. Era o cenário ideal para a nossa viagem. Durante o trajeto, decidimos passar pelo traçado antigo da BR-040 na descida da Serra da Mantiqueira. Ali havia uma pequena bica com água, um lugar que me trazia lembranças de quando eu comecei a viajar para Juiz de Fora, ainda cursando a faculdade de História, pilotando minha Honda 250 Twister. O trecho estava um pouco estreito devido ao avanço do mato e alguns desmoronamentos, mas o asfalto continuava lá, em condições razoáveis. Parece que o acesso é mantido por conta de algumas fazendas da região que dependem dessa rota.

Ao chegarmos em Santos Dumont, tivemos uma surpresa desagradável: o restaurante da estação e, na verdade, toda a estação estavam fechados. Ficamos um pouco frustrados, pois estávamos contando com essa parada para almoçar. Além disso, rodando pelas ruas do centro, percebemos que minha moto estava fazendo um barulho irritante e metálico, que parecia vir da suspensão traseira.

Estacionamos as motos no centro da cidade e procuramos outro restaurante para almoçar. Encontramos um lugar chamado Cabangu Grill, que servia uma comida muito saborosa, porém com um preço um pouco mais alto do que esperávamos para o que estava sendo servido.

Após o almoço, resolvemos voltar. Antes de pegar a estrada, paramos brevemente na Leiteria São Luís para que eu pudesse verificar novamente as condições da Ténéré e o tal barulho irritante na suspensão traseira. Apesar do incômodo, seguimos viagem pelo traçado moderno da BR-040.

Ao retornarmos a Barbacena, fomos diretamente à concessionária da Yamaha, a Turinhos. Após uma verificação inicial, o mecânico sugeriu que o problema poderia estar relacionado à lubrificação do sistema Prolink da suspensão traseira. Marquei de levar a moto no dia seguinte para um diagnóstico mais detalhado.

Passeios de moto são assim mesmo, repletos de imprevistos e surpresas. Nunca sabemos exatamente o que vamos encontrar pelo caminho. Apesar dos percalços e do problema detectado na moto, esse passeio inesperado foi muito bom. Pegamos um dia estranho, com a cidade em Estado de Emergência, e transformamos em uma experiência agradável.

Cada viagem de moto traz consigo aventuras e imprevistos, mas é justamente isso que torna esses momentos tão especiais. O importante é estar aberto para aproveitar cada quilômetro rodado e criar memórias que, mesmo com contratempos, se tornam valiosas.









domingo, 28 de julho de 2019

Retorno à União e Indústria

De bobeira num sábado qualquer, recebo o convite do meu cunhado Filipe de descermos a Estrada Real de Barbacena a Santos Dumont. Só poderia haver uma resposta para este convite, kkk.

Havia lembrado a ele que fazia muito tempo que não passava por aquelas bandas, pela antiga descida da Serra da Mantiqueira. Não fazia ideia de como estaria a estrada.

Para este passeio, a Mariana, minha irmã, não animou. Minha lindinha também estava morta de ter trabalhado como fotógrafa num casamento até a madrugada. Ossos do ofício. Como saímos relativamente cedo, fomos apenas nós dois, sem as meninas.

Passamos no posto para abastecer e calibrar os pneus e pegamos o trajeto para Sá Fortes, seguindo pela antiga Estrada União Indústria, a qual coincide com grandes trechos da Estrada Real na serra. Caminho inicialmente de terra, porém bem cuidado. Fazendas históricas e paisagens lindas.

Tudo tranquilo até a fazenda do Campo Verde e a capelinha da Nossa Senhora da Glória. Mas, depois... A estrada foi acabando, acabando... Fechando mesmo. O mato tomou conta de tudo e muito cascalho, poeira, pedras soltas estavam pelo nosso caminho. Verdadeiros degraus se formaram na antiga estrada por causa da erosão. Dois antigos chafarizes da União Indústria, pontos naturais de parada, nem puderam ser vistos, pois o matagal cobriu tudo.

Enfim, uma verdadeira aventura descer a serra naquele estado de estrada. Dificilmente passávamos dos 20 km/h. Realmente, as meninas não teriam lá gostado muito do "passeio".

Depois da descida aventureira chegamos finalmente ao entroncamento com a BR-040 e seguimos para a Leiteria São Luís, já em Santos Dumont, onde tomamos um café breve.

No retorno, ainda demos uma parada no distrito de Correia de Almeida, onde encontramos com o irmão do Filipe, Rodrigo, e sua esposa, Bianca. Ele estava de olho em uma Yamaha Lander à venda lá. Olhamos a moto e ele deu uma volta rápida. Nada de negócio. Não era uma boa compra. Entretanto, sabemos que em breve ele estará também com sua moto e talvez seja mais um para acompanhar nas viagens.

Desse jeito, em breve fundaremos um motoclube! kkk

Em casa, depois do breve passeio empoeirado, fica mais uma lembrança de um dia muito legal, com mais história para contar!

 



sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Incrível ruína

Procurando lugares legais no Google Maps e no Google Earth, como sempre faço, encontrei Dores do Paraibuna, incrivelmente perto de Barbacena e um lugar fascinante. Com nossas andanças de moto pela região, meu hábito de vasculhar mapas só aumentou nos últimos anos. É um prazer de infância que, com os recursos atuais de geoprocessamento ficou mais prático e completo.

Então, voltando ao achado: Dores do Paraibuna. Simplesmente fiquei intrigado com a foto de uma grande igreja abandonada, cercada de água do que parecia ser uma represa. Pesquisando um pouco na internet, descobri tratar-se de um distrito de Santos Dumont que fora completamente alagado quando da construção da represa de Chapéu D'Uvas, que abastece, entre outras localidades, a cidade de Juiz de Fora. Ou melhor, não completamente alagado. Situada, como a maioria das igrejas antigas, em um ponto alto do antigo distrito, o templo não foi completamente tomado pelas águas, ficando simplesmente ilhado durante boa parte do ano. A construção da represa foi acompanhada pelo deslocamento do distrito para uma área situada a nordeste, onde foi construída a Nova Dores do Paraibuna. A velha igreja em ruínas, contudo, teima em resistir à ação do tempo. 

Toda esta história, claro, criou a vontade de ver um local tão único de perto. Marquei logo como local de interesse no Google Maps, aguardando uma boa oportunidade de darmos um pulo lá. Comentei com várias pessoas: amigos, familiares. Descobri inclusive que a mãe de um grande amigo nosso, o Fred, era de lá, da Velha Dores. Tudo isso só foi aumentando nossa atenção para ao lugar e o desejo de pegar a moto. Acabou que fomos em outros lugares durante as nossas semi-férias.

Mas, seguindo nossa decisão de fazer viagens rápidas nas tardes de sexta-feira, eis que finalmente coloquei da rota de Dores do Paraibuna no GPS. Como de praxe, preparamos as coisas, cumprimos nossos horários de estágio, almoçamos e colocamos o pé na estrada. É realmente um lugar perto para nós, principalmente se considerarmos que boa parte do trajeto é feito na nossa velha e conhecida BR-040, num trecho ótimo, duplicado e que conheço a vida toda. Chegando no trevo de Santos Dumont, tomamos o rumo da estrada para a Fazenda de Cabangu, que já fomos num passeio um tanto quanto desastrado, kkkk. Dessa estrada, pega-se um retorno para a cidade de Santos Dumont num segundo trevo, tomando uma saída à direita da estrada quando próximo a um radar. Daí, passamos pelo que parece ser um bairro mais distante da cidade, com uma passagem por debaixo da linha férrea e em seguida, é terra até o distrito de Dores do Paraibuna.

A estrada estava relativamente boa, porém com muito, muito cascalho. Considerando que tinha muitas subidas e descidas, é um trajeto que exige atenção na moto. Fomos bem devagar, pois, depois de alguns quilômetros, a estrada ficou também esburacada. A passagem de alguns veículos nos dois sentidos levantava bastante poeira por conta do clima seco e com bastante calor.

Chegando ao distrito (o novo), vimos um lugar um tanto quanto abandonado. Nos lembrou a visita que fizemos ao distrito de Padre Brito, em Barbacena. Numa sexta-feira, tudo parado e com ares de decadência. Talvez o pequeno distrito não tenha, de fato, se adaptado bem à mudança forçada pela criação da represa. Casas certamente novas (a represa foi criada na década de 1980), porém mal conservadas. Algumas pessoas nas ruas nos observando e algumas casas semi abandonadas com pessoas em atitudes suspeitas. Prosseguimos. A estrada piorou muito. Agora as subidas e descidas, além de buracos, tinham grandes partes com crateras e sulcos provocados pela erosão. Minha lindinha chegou mesmo a ficar com medo em uma descida. Seguimos com cuidado, mas sem maiores percalços. Muitas subidas e descidas depois, avistamos o braço do lago da represa e, pouco mais à frente, as ruínas da igreja. No trajeto final, não tão sinistro como partes do novo distrito, avistamos carros parados e pessoas nas margens da represa. Certamente pescadores. A vista foi ficando cada vez mais bonita.

Para chegarmos à igreja velha, precisaríamos sair da estrada e descer até a margem. Eu havia mapeado o trajeto até o ponto em que se inicia a descida, sem ter certeza das condições da estrada/trilha dali para frente. Do alto da estrada, avistando a igreja, percebemos uma movimentação de uma moto no seu entorno. Percebi que era uma moto comum, de cidade (talvez uma Fazer), e aí percebi que poderíamos descer realmente. Achamos a entrada da trilha e descemos. Cruzamos com a tal moto, que levava também duas pessoas. Beleza. Mas a trilha era sofrível: estreita, repleta de pedras, fechada e com muita erosão. Não deve haver muito movimento por ali. Descendo com bastante cuidado, pois estávamos carregados com baús e tal, chegamos, finalmente, à igreja, que surgiu imponente à nossa frente assim que saímos da mata.

O lugar impressiona. Uma igreja grande, abandonada no meio do nada. É estranho pensar que tudo aquilo foi ativo e que existia uma comunidade ao seu redor. A represa não estava tão cheia, pois do contrário nem chegaríamos ao lugar. Dava para ver as marcas da água nos pilares da ponte próxima e que dá acesso ao antigo distrito. Chegando próximo à margem, é possível ver lajes e paredes dos antes eram casas, lojas, construções. Ao longe, percebi numa colina um cemitério, não inundado. Impossível saber se estava ativo ou não. Dentro da igreja, sinais de pessoas, vestígios de fogueiras e algum lixo deixado para trás. Também não dá para ter nem ideia do tipo de gente que quer passar uma noite num lugar como aquele. Andarilhos? Jovens atrás de alguma aventura doida num lugar em que não há nada para fazer? Usuários de drogas? Pescadores noturnos? Apenas suposições. Dentro do templo havia, num canto uma imagem dentro de um pequeno oratório. Restos de velas. Pela conservação daquilo dentro de tanta destruição, pareceu-me que moradores locais mantêm, por fé, aquele lugar de culto. Realmente, vi algumas fotos na internet do que parecia ser uma grande encontro de fiéis católicos naquela igreja, mesmo desativada. De qualquer forma, para um lugar tão ermo, há movimentação. Aproveitamos para tirar muitas fotos. O visual é incrível.

Não era, contudo, um lugar para ficar muito tempo. Além disso, havia previsão de pancadas de chuva em toda a região. Nuvens estavam ficando muito carregadas, próximas, e não seria nada agradável pegarmos um pé d'água num lugar como aquele. Facilmente aquelas trilhas poderiam ficar escorregadias e perigosas, até mesmo intransitáveis. Depois de tirarmos todas as fotos que queríamos, decidimos voltar e enfrentar novamente as estradas ruins que nos esperavam no retorno.

A volta foi tranquila, seguindo o programado, só que agora eu sabia de antemão tudo o que estava à frente. Passamos pelo novo distrito, dessa vez ainda mais deserto, exceto pela presença de muitos cavalos magros e soltos. Ao chegarmos no asfalto, prosseguimos até a Leiteria São Luiz, às margens da 040 para uma paradinha. Se chovesse ali, não haveria problema. Estrada boa e conhecida. Tomamos uns sucos que levamos e descansamos um pouco sentados do lado de fora mesmo (lá na ruína da igreja, nem havia lugar muito bom para sentarmos). Dali, foi só pegar aquele estradão de volta. Sempre bom também. A estrada estava com trânsito normal, nem vazia e nem lotada, e chegamos no tempo esperado em casa para um merecido descanso depois de mais este passeio/aventura. Quantos lugares interessantes nos rodeiam e nem fazemos ideia, não é mesmo? Já com os olhos na nossa próxima viagem!