A viagem dessa postagem foi um pouco diferente. Uma viagem para Juiz de Fora com um objetivo bem específico, mas também uma visita familiar e também a solução de uns contratempos na moto.
Havia marcado um horário no Consulado Honorário de Portugal em Juiz de Fora, que funciona em datas pré-definidas na Associação Portuguesa de Juiz de Fora. Consegui um horário no último dia de funcionamento da missão consular, uma quinta-feira, às 15h30min, o que deixaria a minha vida um tanto quanto corrida naquele dia. Iria aproveitar então para dormir ficar na cidade por um ou dois dias, aproveitando para visitar a minha mãe, que ainda se recupera de uma cirurgia e também para dar um pulo na concessionária da Royal Enfield.
A volta na concessionária se daria por dois motivos. O primeiro é que, após a revisão, apareceram manchas nos baús laterais. E eu deduzi que poderia ter sido na lavagem que fizeram da moto após o serviço, após o qual peguei direto a BR-040 para retornar a Barbacena. Achei que as manchas poderiam ter sido um problema com algum produto que, mal secado, se fixou nos baús ao longo da viagem que eu fiz. Mas não tinha também certeza, pois eu poderia ter passado em alguma poça ou produto derramado na estrada (o que eu definitivamente não lembrava, uma vez que o tempo estava bom e a estrada estava relativamente vazia) que poderia ter ficado aderido. Eu mesmo havia tentado tirar as manchas, mas preferi mandar os baús para a concessionária através do meu pai, que está fazendo a viagem Barbacena a Juiz de Fora regularmente. O segundo motivo era um barulho que vinha aumentando na minha moto e ficando bastante incômodo. Eu sabia que não era nada sério. Apenas alguma peça com alguma folga ou falta de aperto mesmo. Mas, já que iria a Juiz de Fora mesmo, maquei um horário na Euroville Royal Enfield logo na manhã de sexta-feira, para que pudessem analisar tudo com tempo devido.
Meu plano era voltar na sexta mesmo, dependendo de como corressem as coisas, principalmente na concessionária. Eventualmente, poderia deixar para regressar no sábado, ficando mais um tempo com os meus pais.
Bem, terminado o turno da escola, fui almoçar na casa da minha sogra, como faço em alguns dias da semana e, como deixei tudo já previamente preparado para a viagem com a ajuda da Rochelli, consegui sair sem demora, pegando logo a 040.
A viagem foi muito boa, apesar de certa preocupação com o compromisso e as obras constantes na estrada, feitas pela nova concessionária, a EPR Via Mineira. Cheguei à Associação Portuguesa com tempo de sobra, por volta das 14h40min. Lá estive com o próprio cônsul, que havia vindo pessoalmente para essa missão consular. Muito educado e atencioso, fez questão de perguntar bastante sobre o processo de marcação de datas online. Acabou que não consegui resolver o que eu havia programado. Burocracias administrativas e jurídicas. Normal. Ainda mais para questões internacionais. Eu, que tenho também a cidadania portuguesa, ainda tenho alguns detalhes a serem acertados.
Do consulado, fui ao apartamento da minha mãe e por lá fiquei o resto da noite, fazendo companhia e batendo um bom papo. Foi muito bom conversar com ela, vê-la já bem mais recuperada e dormir em Juiz de Fora. Senti falta da Rochelli ao meu lado, mas conversamos pelo celular.
No dia seguinte, sexta-feira, saí com a Himalayan para a concessionária e fui recebido pelo Fábio, chefe da oficina. Sobre os baús, fizeram uma descontaminação e limpeza para mim, diminuindo as manchas, mas eles garantiram que não havia nada agressivo ou com problemas de secagem na lavagem após o serviço. Ficou aquela coisa de não saber ao certo o que causou o problema. Ao menos, as manchas ocorreram no lado interno, próximo à fixação dos mesmos no suporte, perto da roda traseira (o que também corrobora para a hipótese de ter sido algo jogado pela própria roda). Sobre o barulho, deixei a moto lá na oficina da loja e rapidamente descobriram o barulho, que comigo só ocorria com a moto andando. De qualquer forma, pediram que eu a deixasse lá para que acabassem com o barulho, verificassem novamente todos os apertos e fizessem todos os testes de rua necessários. Voltei ao apartamento pedindo um carro do 99.
Como minha irmã acabou indo a Juiz de Fora também nesse dia para uma consulta, acabamos passando uma sexta-feira familiar por lá, o que foi bem legal. Ela voltaria a Barbacena no final da tarde mesmo, mas eu resolvi ficar ainda mais uma noite e voltar na manhã do sábado. A boa notícia é que, ao buscar a moto lá na Royal Enfield com o meu pai, verifiquei no retorno que o barulho realmente tinha sumido completamente. Na concessionária, o pessoal me explicou que já viram acontecer com alguns modelos e já sabiam exatamente o que fazer, mas preferiram ainda assim fazer todas as verificações. Está certo mesmo. Na volta da oficina, vim seguindo meu pai no carro dele passando por várias ruas e avenidas com remendos e... Tudo certo. Tudo justinho e perfeito.
Na manhã seguinte, sábado, ainda consegui encontrar brevemente o tio Célio, que, sabendo que eu ainda estaria na cidade pela manhã, foi ao apartamento para conhecer pessoalmente a nova moto. Deu uma voltinha e parece ter gostado bastante. Com certeza faremos vários passeios em que ele poderá testar devidamente a Himalayan, preferencialemente na estrada.
O retorno, para variar, foi ótimo. Apesar desses pequenos contratempos, a Himalayan está me surpreendendo muito positivamente. Conforto e torque surpreendentes. Cada viagem é realmente um prazer. Parei no já tradicional Alto da Serra Lanchonete e Restaurante para um ótimo almoço e em pouco tempo já estava de volta a Barbacena.
Com o feriadão de páscoa, o pessoal do grupo de moto começou a se manifestar. Como sempre, o Alex foi um dos primeiros, dizendo que estava a fim de rodar por esses dias. Algumas mensagens trocadas e saiu o combinado de dar uma rodada na sexta. Só não definimos para onde, kkkk. Aproveitei e mandei uma mensagem também para o Samuel. Fazia um bom tempo que havíamos rodado e disse para ele chamar os amigos dele também. Acabou que ele também topou, mas disse que os caras provavelmente estariam enrolados. Combinamos todos de encontrar no Posto Pelicano da Avenida Sanitária às 8h.
Eu e a Rochelli saímos mais cedo de casa, pensando em abastecer no posto Belvedere, no qual confiamos mais, mas acabou que fizemos uma projeção do combustível restante nas motos e desistimos, tínhamos mais de meio tanque. Fomos direto para o Pelicano e, em pouco tempo, o Samuel chegou, seguido, poucos minutos depois, pelo Alex e a Maria. Foi bom que iríamos rodar pela primeira vez com essa formação. O Alex nos conheceu no Belvedere justamente quando estávamos em um passeio com um Samuel, anos atrás. Mais um casal, afinal, se juntou ao nosso grupo do dia, o qual tivemos o prazer de conhecer: o Edu e a Alexsandra, que nos encontraram mais perto da BR-040, na Cabana da Mantiqueira, com uma bela Honda CB500X.
Acabou que decidimos ir a Mercês para tentar tomar um café por lá, no Meia Lua ou em alguma outra padaria. Em plena sexta-feira da paixão, grandes eram as chances de ter muita coisa fechada, principalmente em uma cidade pequena. Mas haveria de ter algum lugar legal aberto pelo menos no trajeto. Imaginei logo os Laticínios Boa Vida, com aquele ótimo iogurte, mas as chances de estarem com a loja aberta eram bem pequenas também. A partir da Cabana da Mantiqueira, seguimos rumo sul pela 040.
Finalmente parecia um dia sem qualquer chance de chuva, ao menos na parte da manhã. O tempo estava firme, com poucas nuvens, o que era um ótimo sinal, depois de toda a chuvada dos últimos meses. Seguimos a bela estrada e fomos passando pelos lugares, todos com portas fechadas por causa do feriado. Os Laticínios Boa Vida estavam aparentemente fechados e nossas opções pensadas previamente iam diminuindo a cada trecho rodado.
Chegando em Mercês, paramos na praça principal. Tudo fechado mesmo. Meia Lua, padarias, lanchonetes, enfim, todo o comércio. Conversamos um pouco ali na praça e mesmo e logo vimos que teríamos de procurar um outro lugar para comer. O Alex então sugeriu um pesque e pague próximo de Carandaí, para almoçar. O Samuel não poderia ficar com a gente até a parte da tarde, pois já tinha marcado um almoço com os sogros em Barbacena. Seguimos com o retorno então, mas dando duas paradinhas na BR-265: na Parada Olhos D'Água, onde, apesar dos preços exorbitantes, tomamos um cafezinho e conversamos por um tempo, e no Posto SBT, em Santa Bárbara do Tugúrio, para abastecermos algumas das motos (inclusive a Crosser e a Himalayan).
De lá, passamos novamente por Barbacena e, no primeiro acesso nos despedimos do Samuel. Seguimos então para Carandaí, procurando o tal do pesque e pague, o qual depois descobrimos se tratar da Fazenda Prainha, cujo acesso era por uma estrada de chão em frente ao Restaurante Caldeirão Mineiro. Seguindo o Alex, ainda pegamos um acesso errado, que nos fez dar de cara com a entrada de um sítio, com a porteira fechada. Depois de trocar uma ideia com um caseiro, retornamos e descobrimos o acesso correto, o qual é, basicamente, uma estrada que liga a 040 à antiga Linha do Centro, da ferrovia, hoje desativada. Havia um pouco de barro e umas poças bem profundas, mas chegamos sem problemas ao lugar.
Um restaurante rústico, mas muito bem pensado e com bom atendimento. Um grande lago e ótimas vistas. Foi um bom novo lugar para se conhecer. Pedimos pratos individuais bem servidos com preços bem acessíveis e conversamos bastante enquanto comemos. Só não ficamos mais tempo por ali porque o dia começou a ficar escuro, com ar de chuva. Decidimos todos que era melhor irmos embora. Ainda demos uma voltinha para conhecer as instalações e tiramos umas fotos.
Depois disso, pegamos novamente o acesso e logo, a 040. Em pouco tempo, estávamos de volta a Barbacena.
Hoje foi um dia de um passeio mais livre com a Himalayan, depois da tal da revisão dos 500 Km. Para experimentar, resolvi levá-la para uma estrada devidamente serrana. O percurso escolhido: a conhecida Serra de Santa Bárbara do Tugúrio. O destino: Mercês, para aquele cafezinho esperto.
Sai logo pela manhã, que estava com um tempo muito bom, sem sinal de chuvas. Percorri tranquilamente o trecho da BR-040 e logo já estava descendo a serra. A moto é ótima. Estável, transmite segurança em retas e curvas, mesmo as mais apertadas. Ao final da descida, fui percorrendo o lindo trecho da BR-265 que acompanha o Rio Pomba.
Ao chegar em Mercês, fui ao centro da cidade, que estava movimentado. Algumas mudanças no sistema de estacionamento. Agora não se pode mais parar em frente ao Meia Lua, que estava fechado. Nada de melhor capuccino do mundo por hoje. Como era feriado de Domingo de Ramos, tudo estava meio estranho. Muita gente na igreja e tal. Dei uma volta na praça e retornei, parando na padaria e lanchonete que eu, o Alex e a Maria havíamos descoberto em outro passeio. Eu e a Rochelli também fomos lá pouco tempo depois.
Ótimo lanche feito, retornei, não sem antes parar na estrada nos Laticínios Boa Vida, onde compramos ótimos iogurtes. Agora com novas instalações, ficou tudo muito bonito e moderno e também tem uma lanchonete bacana. Comprei logo quatro embalagens para levar para a Rochelli, que hoje estava de plantão.
No retorno, a Himalayan nem sentiu a subida da serra. Muito torque em baixa rotação, potência de sobra. Acabei subindo logo atrás de um grupo de motociclistas que estavam no mesmo trajeto. Na 040, ultrapassei o pessoal, cumprimentando-os. Pouco tempo depois já estava em casa. Espetacular.
Chegando próximo aos 500 Km da Himalayan, já é a hora da revisão inicial da moto, aquela que consiste mais em uma verificação geral da moto e a primeira troca de óleo. Para mim, isso agora significa mais uma ida a Juiz de Fora.
Tirando essa revisão inicial, as revisões regulares da Himalayan na Royal Enfield são programadas para a cada 5000 Km rodados ou seis meses. O que ocorrer primeiro.
Marquei a revisão para a manhã dessa sexta-feira e tinha planos inclusive de ir na véspera, passando a noite em JF de quinta para a sexta. Contudo, com o grande volume de trabalho de áudio (com prazo de entrega coincidindo justamente para o dia da revisão), o jeito foi realmente fazer um bate-e-volta, saindo cedo de Barbacena e voltando assim que a revisão terminasse. A previsão do tempo de serviço era de 2 horas de duração.
Saí de Barbacena por volta das 7h da manhã, com o serviço marcado na Royal às 9h. A viagem foi bem tranquila e cheguei com folga para o horário marcado. Tomei um café na concessionária e tirei algumas dúvidas sobre a moto e também sobre os serviços. Falei com o chefe da oficina que a moto estava com um barulho metálico ao passar por solavancos em certa velocidade, ao que ele prontamente destacou um mecânico para dar uma volta. Na verdade, subimos um caminho bloquetado atrás da concessionária, bem íngreme. Foi estranho andar de garupa, ainda mais na minha própria moto. O barulho não apareceu e cheguei a conclusão de que deveria ser alguma folga justamente na pedaleira do garupa que, agora sendo por mim utilizada, ficou firme. Seria o caso de colocar alguma borrachinha ou arruela com calma em Barbacena.
Depois dessa avaliação do barulho deixei a concessionária e fui a pé até a lanchonete do Posto Salvaterra, onde pude tomar meu café da manhã. Terminado, voltei à concessionária, onde passei o resto do tempo de espera enquanto a minha moto ficava pronta. A concessionária é ótima e o atendimento foi inpecável. Aproveitei o tempo lá para ver com calma as motos e também para adiantar algum serviço da escola (levei meu pequeno Chromebook para isso), já que o trabalho de áudio só poderia ser feito em meu computador principal, em casa.
Terminada a revisão, foi feita uma lavagem rápida e logo após acertar tudo, já peguei a estrada para retornar a Barbacena. Mais uma vez, a viagem foi tranquila. Segui as instruções do mecânico chefe e, ao ultrapassar a marca dos 500 Km, parei a moto em uma parada da BR-040 e fiz o reset da revisão no painel (como minha moto ainda não tinha passado os 500 Km quando cheguei à concessionária, o comando para cancelar o alerta do painel não estava disponível). Depois de ultrapassar essa marca, eu também já poderia ultrapassar o limite recomendado para amaciamento do motor de 4.000 RPM. Podendo alcançar até 6.000 RPM até os 2.000 Km rodados, pude acelerar mais e ver que a moto responde muito bem, ultrapassando 100 Km/h antes dos 6.000 RPM, o que me deixou bem animado pelo fato de eu, na prática, não estar mais limitado pelo amaciamento. Não costumo correr e a moto chegando a 100 Km/h, com possibilidade de andar um pouco mais em ultrapassagens, já me serve perfeitamente.
Retornei tranquilo até Barbacena e feliz de mais essa etapa ter sido concluída. Como estava apertado de serviço, almocei ainda na estrada, no Alto da Serra, e pouco tempo depois já estava em casa, desembolando o serviço para ser entregue naquele mesmo dia, até tarde da noite.