Essa viagem foi daquelas planejadas previamente. Nosso plano é, sempre que possível, fazer alguma viagem para destinos mais distantes, desses que dependem de hospedagem. Pensamos em algumas opções: Nova Friburgo, Poços de Caldas, Divinópolis... Ficamos pesquisando hotéis, tendo em mente nosso orçamento e a quantidade de diárias possíveis. Acabou que a Rochelli encontrou um hotel interessante e com ótimo custo-benefício em Viçosa, uma cidade que nunca havíamos visitado. Planejamos, então, um roteiro curto, de duas diárias, afinal, Viçosa é uma cidade pequena.
Saímos na terça-feira, não muito cedo, já que o check-in do hotel começava somente às 14h. Preparamos as motos e passamos pelo centro da cidade para abastecer no Posto Avenida. Em seguida, pegamos a BR-040 em direção ao sul e depois a BR-265 rumo a Santa Bárbara do Tugúrio. Passamos pelas entradas de Mercês e paramos em um restaurante e lanchonete chamado Parada Mineira, onde pudemos tomar um cafezinho. Seguimos viagem atravessando Rio Pomba, Tocantins e depois Ubá, onde demos uma paradinha para a Rochelli passar em uma farmácia. Continuamos rumo a Visconde do Rio Branco (passando pelo contorno da cidade), São Geraldo, subimos uma serra até atingir Coimbra e chegamos, finalmente, a Viçosa.
Sobre as estradas que pegamos, o trecho da BR-265 entre a 040 e Ubá nós já conhecíamos (principalmente a parte até os trevos de Mercês). Estava com o pavimento razoável, apresentando alguns pequenos remendos. Já as partes menos conhecidas, depois de Rio Pomba, estavam melhores. A rodovia estava com o trânsito bem cheio, chamando atenção o grande número de caminhões e carretas, inclusive bitrens. De qualquer forma, aproveitamos bem o percurso, indo com bastante calma, pois estávamos com folga de tempo até o horário mínimo do check-in.
Ao chegar a Viçosa, fomos direto ao hotel, que gentilmente liberou nosso check-in meia hora antes do previsto. Trata-se do Mundial Park Hotel, bem legal e bonito, mas um pouco distante do centro. Tomamos banho, o que é sempre bom após a viagem de moto, descansamos um pouco e começamos a procurar algum lugar para ir. Até aquele momento, tínhamos apenas feito o lanche na estrada, que, embora generoso, já fazia muito tempo. Não paramos para almoçar em lugar algum, pois não sentimos necessidade. Já passava das 15h e vimos algumas opções.
Pegamos a Himalayan e saímos, agora com a Rochelli na garupa (coisa raríssima hoje em dia). O trânsito estava carregadíssimo. Não sabemos se era porque estava rolando um grande evento na cidade, a Semana do Fazendeiro (e, especialmente neste ano, comemorando os 100 anos da UFV!) ou se o fluxo nas ruas é sempre assim, congestionado. Ao tentarmos alguns dos lugares centrais que havíamos marcado em nosso mapa, tais como o Beirut Restaurante Árabe e Esfiharia e o Restaurante, Pizzaria e Choperia Noa Noa, não encontramos vaga alguma para estacionar, nem mesmo para uma moto, e isso em meio a um tráfego bem intenso e chato.
Mudamos então de ideia e fomos para o nosso plano B: o Café da Villa, que a Rochelli havia encontrado e era bem distante, nos arredores da cidade. Com custo, atravessamos o centro, enfrentando semáforos bem demorados, e chegamos ao charmoso café. É um espaço mais gourmet, mas bem legal mesmo. Gostamos das opções e da tranquilidade do local. Enquanto esperávamos, um senhor notou a Himalayan e me chamou para ver sua Royal Enfield Continental. Era praticamente vizinho do café e mostrou-me sua moto na garagem. Muito linda! Aproveitamos bem o lugar e voltamos, depois, satisfeitos para a nossa hospedagem. À noite, ainda pudemos aproveitar o jantar do hotel. Pedimos uma porção de batatas fritas com bacon e uns pasteizinhos de angu, muito saborosos.
No dia seguinte, após tomarmos café no hotel, resolvemos sair para conhecer a UFV. Pegamos mais uma vez a Himalayan e enfrentamos o trânsito, mas agora sem cair na parte mais caótica do centro. Acessamos a universidade por uma rotatória e depois por outra, mais famosa, com as colunas que são um símbolo conhecido da sua entrada. Conseguimos parar perto do edifício histórico Arthur Bernardes, que marca o centro do campus e também do evento que acontecia.
A universidade é muito bonita e organizada. Diferentemente da UFJF, onde me formei, é bem plana em sua parte central, com grandes avenidas. A Semana do Fazendeiro tinha inúmeros estandes interessantes, com informações sobre animais, máquinas, tecnologias agrícolas, produtos e muito mais. Rodamos bastante, comprei umas pimentas artesanais e a Rochelli comprou doce de leite, queijo e um massageador, kkkk. Todo mundo muito receptivo, educado e empolgado em estar lá. Almoçamos em uma praça de alimentação montada em um grande galpão onde ocorria uma feira de artesanato. Valeu muito a pena a visita.
Pedimos um carro de aplicativo para sairmos tranquilos à noite, sem a preocupação com trânsito ou vagas. Decidimos ir a um restaurante de comida japonesa, o Sushi Mirim, que fica em um shopping localizado em um calçadão (onde, obviamente, não haveria vaga alguma para moto). Achamos o restaurante muito bom, com uma porção farta e saborosa. Infelizmente, a praça de alimentação não estava tão bem cuidada nem era um espaço aconchegante para se estar à noite, mas, paciência. Essas coisas acontecem mesmo em viagens, quando não conhecemos bem a cidade. De qualquer forma, voltamos satisfeitos para o hotel.
O dia seguinte já era o momento do retorno a Barbacena. Tomamos o café da manhã e começamos a preparar as nossas coisas e as motos valentes para o trajeto de volta. Para ficar mais interessante, voltaríamos por outra rota, desta vez rumando diretamente a oeste até alcançarmos Conselheiro Lafaiete e, de lá, direto pela conhecida 040 até Barbacena.
Após o check-out, enfrentamos o trânsito e seguimos pela rota sugerida pelo Waze para deixarmos a cidade pela BR-482. Imaginei que as estradas naquela direção estivessem bem ruins, como pudemos conferir, ao menos em parte, quando fomos até Catas Altas da Noruega há alguns anos. Porém, encontramos uma rodovia muito bem cuidada, o que não é comum aqui em Minas Gerais. Passamos pelo acesso a Porto Firme, por Piranga, pelo trevo de Catas Altas da Noruega e por Itaverava. Fizemos aquela paradinha estratégica para o café no Restaurante Pé da Serra, que já conhecíamos. Seguimos depois para Lafaiete, também atravessando a cidade, e em pouco tempo já estávamos de volta à 040.
No retorno, ainda paramos novamente para esticar as pernas e aproveitar os produtos locais na Parada da Mexerica, que é sempre boa.
Chegamos a Barbacena na parte da tarde, realizados por mais uma viagem para a nossa conta, com tudo dando certo e dentro do que programamos para nossas singelas férias.
Recesso escolar começando, a Rochelli também de férias e já estávamos com alguns planos de passeios e viagens para este mês de julho. E não é que ela encontrou um evento de motociclismo que seria realizado no autódromo Potenza, em Lima Duarte?
Na véspera, enviamos mensagem para o pessoal do grupo de WhatsApp e também para o Charles e o Samuel. Acabou que todo mundo estava meio enrolado, mas o Charles topou. Ele é sempre muito animado e marcamos de nos encontrar por volta das 8h na Cabana da Mantiqueira.
Arrumamos as motos logo pela manhã e saímos em direção ao ponto de encontro. A Rochelli aproveitou para abastecer a Crosser no Posto Shell da Cabana. Percebemos que havia outro grupo se reunindo, provavelmente para ir a algum encontro (no mesmo dia, estava rolando o evento de motociclistas de Congonhas, no Parque da Cachoeira). Quando o Charles nos encontrou, descobrimos que a Ana Paula, uma ex-aluna minha, estava lá também com aquele pessoal. Acabamos saindo antes deles, mas sabendo que provavelmente nos ultrapassariam caso também estivessem indo para o Potenza: certamente iríamos parar para tomar um café, já que não havíamos comido nada de manhã.
Rodamos alguns quilômetros pela BR-040 e fizemos aquela paradinha estratégica no Alto da Serra. O Charles já havia tomado café da manhã, mas topou numa boa nos acompanhar para comer alguma coisa. Não tínhamos pressa de chegar ao evento, que estava marcado para iniciar às 9h. Calculamos que, chegando por volta das 10h, já estaria de bom tamanho, já que essas coisas costumam atrasar um pouco.
Depois do lanche, seguimos pela 040. A estrada estava tranquila, muito boa de percorrer. O dia tinha amanhecido bem limpo, mas ao longo da rota foi ficando bastante nublado. Alcançamos o outro grupo entre Santos Dumont e Ewbank da Câmara, o que nos fez imaginar que também tivessem feito alguma parada. Seguimos e acessamos a BR-267 no contorno de Juiz de Fora. Ali, a viagem ficou um pouco mais travada devido ao grande fluxo de carros, à pista simples e a muitos radares e quebra-molas. O pavimento, contudo, estava muito bom e o tempo foi novamente abrindo conforme nos aproximávamos da localidade de Orvalho, perto de onde fica o autódromo.
Ao chegarmos, já ouvíamos as motos na pista e os eventos em curso. A Rochelli tentou entrar em contato com a Ana Paula e viu por mensagem que eles tinham tido problemas na moto e tiveram de abortar a viagem. Uma pena.
Paramos as motos, trancamos nossos capacetes para ficarmos mais à vontade e pegamos os bonés para tentar nos proteger do sol. Subimos para a área acima dos boxes, no mesmo terraço onde ficamos com o tio Célio, da outra vez em que estivemos no Pontenza. Dessa vez, o evento era menor, com algumas categorias aparentemente mais locais, mas, de qualquer forma, muito interessante de assistir. O Charles curtiu muito, já que gosta bastante das esportivas.
Do terraço, consegue-se ver grande parte da pista e as principais retas. Assistimos às provas de 400 cc, 600 cc, 300 a 400 cc feminina e 1000 cc. Todas muito legais, com destaque para a categoria feminina. É sempre bacana ver mulheres competindo em esportes motorizados, principalmente no motociclismo.
Aproveitamos as instalações para tomar um pouco de açaí depois das provas e antes de pegarmos a estrada de volta. Retornamos às motos e iniciamos nossa jornada de regresso, novamente pela 267 e depois pela 040 no sentido norte, rumo a Barbacena. Acabou que não almoçamos, então sugeri que parássemos novamente lá no Alto da Serra (já um dos nossos lugares preferidos para essas paradinhas na 040) para comermos algo. Foi uma boa ideia, pois esticamos as pernas e pudemos conversar com calma sobre as corridas e sobre todo o passeio. Foi bem legal.
Lá mesmo nos despedimos e combinamos de rodar mais vezes. Foi uma pena o Samuel não ter podido ir ao Potenza. Achamos que ele também iria gostar bastante.
Vamos ficar de olho nos próximos eventos que ocorrerem por lá!