Esse sábado acordei com uma vontade de andar de moto devidamente, rodar mais, e resolvi sair sozinho. A Rochelli estava trabalhando — era o plantão dela — e o pessoal do grupo da moto estava meio off. Apesar de terem mandado umas mensagens no dia anterior, na sexta-feira, a coisa ficou meio parada por lá. Então, resolvi que ia sair independentemente de todo mundo. Olhei pela janela e vi que o tempo estava bem bacana: um friozinho, mas com sol. Um dia muito bonito.
Não tinha programado nada — coisa que eu gosto de sempre fazer: programar alguns destinos, algumas rotas. Mas isso não me impediu de sair. Peguei os baús, as GoPros, que tinham algumas baterias carregadas, meu GPS de trilha só para marcar o caminho, e o GPS do painel da moto para ir pensando em trajetos. A ideia era sair meio sem rumo, embora eu tivesse duas rotas em mente. Uma, mais curta, por estradas menores, me levaria até Santana do Garambéu, para dar uma olhadinha naquela cachoeira da Água Limpa e ver se melhoraram o acesso, segundo alguns relatos que recebi. A segunda opção seria seguir em direção a Lafaiete e Ouro Branco, pois sempre tive interesse por alguns pontos da Estrada Real naquela região — como o Sítio da Varginha, onde há um monumento em homenagem a Tiradentes, o inconfidente, e a própria "Casa de Tiradentes", que seria uma antiga fazenda, a Fazenda Carreiras
, usada possivelmente como hospedaria pelos Inconfidentes.
Acabei optando pela segunda opção, pois queria pegar uma estrada maior, mais rápida, e rodar um pouco mais. Desci com as coisas para a moto e saí logo em seguida. Saí por volta das nove da manhã e peguei o contorno de Barbacena, como costumo fazer para evitar o trânsito da cidade. Em pouco tempo já estava na BR-040, seguindo ao norte, passando por Vasconcelos, Ressaquinha, Carandaí, Cristiano Otoni… E logo já estava pelas bandas de Lafaiette.
A estrada estava pouco movimentada e muito agradável. O tempo frio, mas não gelado, um sol realmente muito bonito, céu sem nuvens… Estava o tempo perfeito para andar de moto.
Chegando em Lafaiete, segui a rota presente no meu GPS, porém já fazendo o acesso pelo contorno da cidade — vamos dizer assim — que se tratava de um acesso entrando por um bairro à direita, cujo nome eu não sei, e subindo diretamente até a estrada Lafaiete–Ouro Branco, que é a antiga Estrada Real.
Segui por essa estrada, que também estava com pouco movimento e tem um traçado muito bonito, serpenteando por cima dos morros, com uma vista de longas distâncias. Já era possível inclusive ver a Serra de Ouro Branco logo à frente, e fui avançando.
Quando cheguei ao Sítio da Varginha, acabei passando do ponto, porque não havia indicação nenhuma, e tive que fazer um retorno para acessar o sítio histórico. A porteira estava fechada com cadeado, então, infelizmente, não pude chegar muito perto das estruturas. Mas deu para ver o monumento em homenagem a Tiradentes — uma réplica da perna dele em exposição — e, ao longe, a sede, com algumas ruínas. Estava tudo muito mal cuidado e fechado também, não deu para ver maiores detalhes, mas consegui tirar algumas boas fotos dali.
Segui depois, passando por uma pequena comunidade (Carreiras), e após alguns quilômetros cheguei à Casa de Tiradentes - Fazenda Carreiras, que é um lugar mais bem sinalizado. Acredito que funcione como um museu, inclusive. Consegui parar a Ténéré bem em frente a essa casa, que era uma antiga hospedaria. Apesar de o interior da casa estar fechado para visitação, era possível circular por todo o entorno: os jardins, o quintal, as varandas antigas… Andar sobre as madeiras, sentir o tempo daquelas estruturas. Rendeu ótimas fotos. Foi muito bom ter ido até lá, mesmo com a casa fechada. Fiquei bem satisfeito.
É muito bom poder visitar esses locais com calma — e essa é uma das vantagens de rodar sozinho de vez em quando. Quando a gente está acompanhado, acaba considerando o interesse dos outros, os horários, os pontos de encontro. Ali não: era só eu, a moto e o que eu quisesse fazer. Esse sentimento de liberdade é muito bom.
Quando me dei por satisfeito, segui em direção a Ouro Branco e, pela previsão, chegaria muito cedo lá — antes das 11 horas ainda.
Segui pela estrada e, devido ao horário, marquei o centro da cidade como destino, porque os restaurantes provavelmente ainda estariam fechados. Resolvi parar perto da Igreja Matriz de Santo Antônio para tirar umas fotos por lá, já que a praça central histórica é muito bonita. O dia estava perfeito para fotos. É realmente belíssima a vista do centro histórico com a igreja à frente e o fundo formado pela magnífica Serra de Ouro Branco. Incrível paredão natural.
Fiquei ali por um tempo, tirando fotos, visitando o local, até mais ou menos umas 11 horas da manhã — que já estava se aproximando. Peguei a moto novamente e coloquei no GPS um bom restaurante para almoçar. Apesar de ainda ser cedo, eu só tinha tomado café com leite pela manhã e já estava com fome. Não fiz nenhuma parada na estrada também.
Segui para o restaurante (Trem Mineiro) e, ao chegar no entorno, percebi que estava muito cheio. Havia uma feira livre e de artesanato rolando na rua — exatamente como da outra vez, com o Paulo, a Natália e a Rochelli. Mesmo assim, consegui parar relativamente perto e acessar o restaurante.
Foi muito bom ter voltado ali, porque as opções são inúmeras e o preço é bem legal. Pude almoçar muito bem e descansar. Fiquei um bom tempo por ali e, quando me dei por satisfeito também, resolvi voltar.
Coloquei no GPS a rota para casa, me perguntando qual caminho ele calcularia — se via Congonhas ou por dentro de Lafaiete novamente. Acabou que ele traçou a rota por Lafaiete, e eu segui. O retorno foi super tranquilo, sem pressa. A estrada continuava vazia, talvez até um pouco mais, por ser horário de almoço. Fui voltando praticamente pelo mesmo caminho que tinha feito na ida: Ouro Branco a Lafaiete. De Lafaiete, acessei a BR-040 novamente, passando por fora da cidade. Em pouco tempo, já passava por Cristiano Otoni, Carandaí, Ressaquinha e Alfredo Vasconcelos.
Cheguei em casa por volta de 13h30min, realizado por ter feito um passeio solo muito bom, muito contemplativo, muito tranquilizador, aproveitando essa oportunidade de visitar paradas históricas tão interessantes. E os registros de foto sempre vão reavivar minha memória.
Nesta quinta-feira, primeiro de maio, feriado, a Rochelli já estava trabalhando novamente e eu estava com vontade de andar de moto. O tempo estava meio feio, e isso foi me desanimando ao longo da manhã, até que acabei optando por ficar em casa.
Contudo, eu precisava resolver a questão do almoço. Entrei em contato com meus pais, e eles sugeriram um almoço em família — ou no Pesque e Pague Paraíso ou no Restaurante Zazaga — ambos ótimas e conhecidas opções com especialidade em peixe.
Vi nisso uma oportunidade para dar uma esticadinha na moto, aceitei o convite e combinei de encontrá-los direto no restaurante. Saí por volta das onze e meia de Barbacena, pegando o contorno da cidade e evitando, assim, o trânsito intenso do centro. Cheguei rapidinho ao Pesca e Pague Paraíso, que foi o local escolhido, e aguardei os demais.
Pouco tempo depois, chegaram Filipe e Mariana, minha irmã, com suas meninas, Aninha e Beatriz. Uns cinco minutos depois, meus pais e minha tia chegaram também. Foi uma boa oportunidade para botar o papo em dia e ter um belo almoço em família, com um ótimo cardápio de tilápia frita.
O tempo foi abrindo e ficando muito bom para fotos. O retorno foi tranquilo, e eu espero que em breve possa fazer algum passeio mais longo de moto.
O importante é estar sempre aproveitando as pequenas oportunidades — tanto para andar, quanto para encontrar a família..
Este sábado foi o dia do retorno da Rochelli às estradas. Depois de ter torcido o pé jogando vôlei e ficado de molho por um bom tempo, as recomendações de médicos e fisioterapeutas passaram a ser de retomada lenta das atividades e movimentação controlada do pé lesionado. Uma viagem de moto já não representaria um problema, já que a torção foi no pé direito — o do freio traseiro — que fica praticamente parado durante toda a viagem.
O destino? Próximo, mas sempre legal: Mercês. Resolvemos tomar um café da manhã na bela cidade situada no vale do Rio Pomba, alguns quilômetros após a descida da Serra da Mantiqueira.
Saímos não muito cedo, por volta das 8h30. Preparamos as motos, pegando a Crosser na garagem que alugamos (a pobre tem ficado bem parada nos últimos tempos, exceto nos dias em que eu resolvo sair para trabalhar com ela, em vez da Ténéré). Pegamos o contorno da BR-265 e logo já estávamos na BR-040. O dia estava muito bonito, com ar fresco e céu praticamente sem nuvens. A estrada estava com pouco movimento. Ao pegarmos a descida da serra, percebemos a piora no piso da estrada, cujos remendos já não davam conta de todos os buracos que vêm surgindo com o trânsito intenso de caminhões pesados por ali. Isso, contudo, nunca tira a beleza da íngreme descida da serra e suas belas vistas. Essa região é realmente incrível.
Na ida para Mercês, passamos por uma grande estrutura de laticínios à beira da estrada, que reconheci ser a fábrica de um ótimo iogurte que consegui comprar em uma padaria em Barbacena. Tratava-se dos Laticínios Boa Vida. Ficamos de tentar dar uma paradinha por ali, no retorno, para ver se havia alguma lojinha de produtos direto da fábrica. Lembrávamos que, também na entrada de Mercês, na própria estrada de acesso, havia outra grande estrutura de laticínios que parecia ter um tipo de comércio direto. Ficamos de dar uma espiada por lá também.
Chegamos a Mercês e realmente avistamos a outra fábrica, mas seguimos direto para o centro da cidade, onde tínhamos duas opções: o já conhecido Meia Lua, com seu capuccino perfeito e ótimos pastéis, e a padaria onde eu, o Alex e a Maria conseguimos tomar um café self-service a quilo, bem legal. Preferíamos parar na última, pois a Rochelli não a conhecia — e assim fizemos.
Ao chegarmos ao estabelecimento, parando as motos praticamente em frente, percebemos um movimento bem menor do que da última vez. O nome é Padaria e Confeitaria JL (ou ao menos é assim que aparece no Google Maps), mas fomos informados de que o tal café self-service não é mais servido. Apesar do revés, resolvemos ficar mesmo por ali, pois as opções de lanche pareciam ótimas. Tomamos um ótimo café da manhã e, depois, resolvemos dar uma olhadinha no comércio da cidade, buscando uma película nova para o meu celular. Encontramos a película em uma pequena loja de capas e acessórios e ficamos impressionados com a agilidade da atendente para realizar a troca. Realmente impressionante! Demos uma voltinha pelo centro e resolvemos voltar para casa — não sem antes pararmos nos laticínios que havíamos notado na ida.
Na saída de Mercês, passamos em frente aos Laticínios Maria Clara, que aparentemente tinham uma lojinha, mas que estava fechada. Após algumas idas e vindas para checar (havia um rapaz parado no portão e, depois, dentro da loja) e alguns sinais curiosos (ele ficou balançando os queijos nas mãos, como a Rochelli notou, kkk), paramos e abastecemos nossa bolsa térmica com ótimas variedades de queijo. Seguimos.
No retorno, paramos nos Laticínios Boa Vida, no trevo de acesso a Paiva, e ficamos nos perguntando se havia alguma lojinha para compra de produtos direto da fábrica. A Rochelli resolveu ir até lá e perguntar a um funcionário, que nos mostrou onde ficava a loja (estava em obra). Ali pudemos comprar três saborosíssimos iogurtes em garrafas. Ficamos felizes por termos descoberto esses pontos de compra com preços bem bacanas.
Voltamos para Barbacena com os baús cheios de queijos e iogurtes deliciosos (como confirmamos mais tarde) e realizados por mais um bom passeio.
Uma última nota: o registro da incrível hospitalidade e atendimento do pessoal de Mercês. Fomos muito bem atendidos em todos os estabelecimentos comerciais da cidade, sem exceção, todas as vezes em que lá estivemos. Tudo que vem de lá é bom — e adoramos sempre visitar a pequena e calma cidade.