A cidade de Vassouras era um destino que está nos nossos planos há muito tempo. Lá em 2017, quando fomos a Miguel Pereira com o tio Célio, passamos brevemente pela típica cidade cafeicultora do século XIX. Lembro-me de ter reconhecido, quase que imediatamente a praça central, local onde também foi gravada a minissérie Presença de Anita. Desde aquele tempo, pensamos que seria legal voltar ali para conhecer devidamente aquela cidade (ao menos o centro histórico), passando algumas noites.
A oportunidade apareceu nessas férias, seguindo nosso esquema de fazer mais viagens com intuito de passar noites em hotéis (mesmo que sejam mais baratos). Ao voltarmos de São João del-Rei, tratei de buscar logo um hotel em algum destino legal da nossa lista. Acabei reservando o tradicional Mara Palace Hotel, aproveitando as férias escolares de janeiro. Preparamos nossos baús com a bagagem na véspera e programamos nossa saída para logo cedo na quarta-feira, tentando evitar o calor que tem feito nessa época no avançar do dia. Outro problema seriam as chuvas, completamente imprevisíveis. Mas, batemos o pé: iríamos com as motos. Recentemente foram duas viagens que fizemos de carro (Carrancas e São João del-Rei).
Saímos por volta das 8h e o tempo já estava feio, com uma chuvinha fraca. Pegamos a BR-040 e eu estava com a esperança de que quando descêssemos a serra rumo a Santos Dumont, sairíamos da influência das nuvens mais carregadas e pegaríamos um tempo mais seco. Realmente, a estrada foi se tornando mais seca a partir da reta de Oliveira Fortes, com a chuva dando uma trégua. Nosso plano de parada era a Rodo Lanches, em Três Rios, pois achei que seria um ponto mais ou menos médio em nossa jornada. Contudo, a Rochelli já estava com fome no contorno de Juiz de Fora. Ela não havia comido nada antes de sairmos, enquanto eu, se não me engano, tinha tomado ao menos uma caneca de café-com-leite. Acabamos experimentando parar na Queijaria Santa Maria no contorno e na qual nunca tínhamos parado, com pastel de queijo a R$1,00 (!). Parada simples, o banheiro não estava lá essas coisas, mas a comida era muito boa. Ao sairmos... mais chuva. E apertando. Seguimos.
Quanto mais rodávamos no sentido sul, mais o tempo ia se fechando. Certamente estávamos adentrando em mais uma área de chuva. Não era uma chuva torrencial, mas era contínua. Nossas roupas de viagem resistiam bem (eu só tinha levado uma capa de chuva para colocar por cima, mas não sentia necessidade). Ofereci para a Rochelli que parecia estar sentindo um pouco de frio, mas ela recusou. Preferiu colocar uma outra blusa por baixo. Contornamos Três Rios e pegamos a BR-393, que estava com vários buracos bem fundos e, por isso, perigosos. Avançamos com cuidado e passamos pela praça de pedágio sem concessionária que denunciava o descaso completo com uma estrada que já foi muito boa até. Aliás, com as motos, não pagamos um pedágio sequer de Barbacena até Vassouras, pois são isentas nas novas concessões da BR-040.
Chegamos a Vassouras por volta de 12h e nos dirigimos direto ao hotel, a essa altura, já um tanto molhados. Entrei e consegui um check-in antecipado, o que nos ajudou bastante. Colocamos as motos no estacionamento e subimos para o quarto, bem simples também, mas que serviria. Espalhamos as peças das roupas de viagem e as botas pelo banheiro e pelo quarto, esperando que tudo secaria para a volta e tomamos banho, para esquentar o corpo.
Saímos em seguida para encontrar um bom lugar para almoçar. No planejamento da viagem, eu já havia marcado no Google Maps várias opções interessantes de restaurantes, lanchonetes, etc. Logo na bela praça central, encontramos novas opções em um mini shopping, chamado Pátio Casario. Resolvemos pedir umas porções de camarão e batata frita, que estavam deliciosas, mas acabaram sendo muita coisa para nós. É o tipo de coisa difícil de acertar quando não se conhece o local. Descansamos à tarde no hotel e saímos mais uma vez à noite, só para tomar um sorvete (de tão satisfeitos que ainda estávamos com as porções, kkk). Valeu a pena para visitarmos a praça central e os casarões com suas iluminações noturnas. Visitamos também a antiga estação ferroviária, decorada com suas luzes de natal. Tudo muito bonito e bem cuidado.
O dia seguinte, quinta-feira, seria nosso dia completo na cidade, comendo com o café da manha do hotel. Ofereciam um café da manhã simples, com nem tantas variedades, mas tudo estava gostoso. Considerando um hotel mais em conta, tudo bem. O que sentimos falta de cara foi o fato de não não ter pão de queijo (mineiros...). Saímos novamente à pé. O dia estava muito mais aberto, com poucas nuvens, mas não estava absurdamente calor como imaginávamos que o interior do Rio de Janeiro poderia estar. Muito bom, portanto. Resolvemos voltar ao Pátio Casario para experimentar uma comida japonesa que háviamos encontrado na véspera, Kimi Sushibar. Comemos um ótimo combo, bem diferente dos que encontramos normalmente em Barbacena. Tomamos também um cafezinho em uma cafeteria e voltamos ao hotel, onde, após algum descanso também, curtimos a piscina até o final da tarde. À noite, nossa última saída na cidade, fomos conhecer mais um local, o Orbital Space Bar, onde pedimos uma costela defumada com batatas rústicas muito gostosa. Aparentemente, concentramos nossas experiências gastronômicas no Pátio Casario, já que o mesmo tinha tantas opções legais. Aproveitamos muito bem esse dia inteiro em Vassouras.
O dia seguinte, sexta-feira, já era o dia de retorno. Tomamos o café da manhã do hotel com calma e começamos a preparar nossa bagagem. Nossas roupas e botas estavam já completamente secas e certamente faríamos uma viagem com bastante calor. O céu estava predominantemente limpo. Pensei inicialmente em fazer uma outra rota no retorno, passando por outras cidades tais como Valença e Rio Preto, mas, uma outra variável se impôs. Voltando pela mesma BR-393, passaríamos relativamente perto de Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul e antiga fazenda Sebollas, local importante da Inconfidência Mineira, por se tratar de uma localidade onde Tiradentes tentou angariar apoio para a causa no interior da Capitania do Rio de Janeiro. Lá, inclusive, também ficou exposto um quarto de seu corpo, assim como nos outros locais que eu já visitei (Barbacena, estrada de Queluzito e Sítio da Varginha, além da cabeça, exposta em Ouro Preto). A Rochelli topou aumentar um pouco nossa viagem de volta e passar lá. Levamos nossos Passaportes da Estrada Real para o caso de ter alguma localidade com carimbo. E com essa ideia, deixamos o hotel após o check out.
Deixamos Vassouras, pegamos a 393 por uma saída meio estranha, apontada pelo GPS e, diferentemente da ida, entramos em Paraíba do Sul. Cruzamos pelo centro da cidade e pegamos uma estrada muito antiga e simples, a RJ-131, que leva ao distrito. Muitos quebra-molas e sítios, fazendas e haras no trajeto. Um percurso curto levou um bom tempo, mas foi um passeio agradável com as motos. Chegamos no pequeno distrito, que tem em seu centro uma pequena igreja, e a antiga sede da fazenda (que hoje é um pequeno museu), com um memorial ao lado. Justamente lá era o ponto de um dos poucos carimbos do Caminho Novo que não temos (se não me engano, só nos falta Magé, no RJ). Chegamos, pegamos nossos carimbos e fizemos uma visita, mesmo que rápida ao museu. Muito interessante mesmo. Conversei um pouco com a estagiária que nos atendeu e ela explicou a brevemente a história da fazenda e da atuação de Tiradentes no local. Interessasnte a exposição de ossos os quais, segundo os documentos, são os ossos da parte do alferes que foi deixada como aviso aos revoltosos no local. Uma história fascinante sobre como a proprietária da fazenda acabou fazendo um enterro ilegal dos despojos e depois deixou em testamento instruções para um local definitivo da ossada, exumada depois, por volta de 1960.
Felizes por termos pegado mais um carimbo do Caminho Novo e também com todas as informações históricas que obtivemos no local, pegamos novamente as motos para o retorno. O GPS nos apontava um trajeto discinto para a saída do distrito, em um percurso menor e que nos levaria diretamente à BR-040, e não à BR-393. Topamos ver no que dava. Caímos em uma estradinha de terra sinuosa e que serpenteava por encostas bem íngremes. Passamos inclusive em uma barragem, antes de finalmente chegamos no bairro Alberto Torres, do município de Areal, onde atravessamos uma ponte e pegamos novamente a 040.
Dali, o caminho era conhecido. O tempo estava limpo e quente, e andar com um pouco mais de velocidade na 040 era algo muito bem vindo. Fizemos uma parada na tradicional lanchonete Rodo Lanches, de Três Rios, antes de seguirmos de volta em sentido a Minas Gerais. Depois da parada, prosseguimos, sem problemas, de volta para casa.